Adorei o poster.
De tão óbvio nem sei se a ideia é nova…
Mas funcionou.
Trabalho do ilustrador Paul Thrulby.
VANS CLASSICS 2013 SPRING DENIM COLLECTION.
Eis um dos modelos.
Babei.
Taí uma dessas coisas das quais não precisamos mas achamos que temos imediata e altiva necessidade e somos capazes de morrer de angústia até chegar a hora de comprar um par.
Aliás, vou correr atrás do outro pé…
Não sei se gostei, mas só sei que nem ganhando eu usaria.
Coisa estranha, essa.
Reebok ATV 19+. 140 dólares. Acabou de ser lançado lá fora.
Por aqui, deve demorar uns seis meses para chegar.
Você se animaria a comprar um?
É para chamar a atenção… isso, no fundo, queremos chamar a atenção.
E funciona!
Ô!

Danuza Leão, neste domingo 21, na Folha, escreveria…
Afinal, o que todos queremos da vida —além do básico, claro? Bem, para começar, é preciso definir o que é o básico.
O básico é igual para todo mundo, seja você banqueiro ou Zeca Pagodinho: um bom Jaqueirão para receber os amigos, saúde, uma certa beleza física, algum dinheiro, que não faz mal a ninguém, um pouco de amor, que faz bem enquanto dura e mal quando acaba, e por aí vai. Mas mais que tudo, o que todos queremos, do berçário até a mais provecta idade, é o bem mais precioso: um pouco de atenção.
Para isso, somos capazes de tudo; uma criança, na hora de deitar para dormir, quer a presença da mãe, só olhando. Muito mais tarde, mesmo depois dos 40, os homens vão fazer o que mais gostam —surfar—, e querem que a namorada fique sentadinha na areia, só olhando.
Ninguém suporta ser completamente anônimo, e por isso as pessoas passam a vida buscando o dinheiro, a beleza, o poder ou a fama, para serem reconhecidas pelo garçom quando entram num bar. Tem gente que vai ao mesmo restaurante só por isso, só se hospeda no mesmo hotel, e outros —mais do que você pensa— contratam um divulgador, essa profissão tão moderna, para cuidar de sua imagem, o que significa conseguir publicar uma foto ou uma notinha no jornal de vez em quando. Para quê? Ora, para existir; Nizan Guanaes já disse que o marketing é tudo na vida das pessoas.
Crianças fazem tudo o que passa pela cabeça; sem nenhuma censura, elas choram e gritam para chamar atenção; mais tarde, quando aprendem que não podem mais abrir o berreiro, vão por outros caminhos, para terem certeza de que existem. Umas se vestem de paetês, outras se queixam de doença —e às vezes se esforçam tanto que ficam doentes mesmo, e dá para entender: qualquer coisa na vida, qualquer, é melhor do que a indiferença.
Uns engordam, outros pintam o cabelo de verde, alguns tentam uma carreira de sucesso, de preferência no show business, para serem sempre notados, e quanto mais notados, melhor. Não se trata apenas de vaidade: é uma questão de ter a consciência de que estamos vivos, e se ninguém nos olha é porque não estamos. E se não estamos, de que adianta ter um coração batendo?
Por que você gosta tanto de ir ao médico? No curto tempo de uma consulta —e não se está falando de saúde— a atenção é toda dirigida a você; existe alguma coisa melhor do que ter alguém, mesmo que seja um estranho, perguntando como vai seu apetite, se tem dormido bem, que diga que você precisa deixar de fumar? Atenção: são raros os que fazem isso, pois a maioria pede uma lista de exames e diz para você voltar com os resultados.
E os analistas? Esses são maravilhosos: durante 50 minutos você tem uma pessoa inteligente que ouve os maiores absurdos, compreende tudo —que delícia—, justifica tudo —melhor ainda— e você até sente que não está mais só no mundo. Se ninguém te dá atenção você não existe, daí o drama dos famosos quando voltam ao anonimato.
Atenção verdadeira é fundamental. Quando sua empregada disser que está resfriada, tire dois minutos -só dois- do seu dia, que tem 1.540, para saber o que ela está sentindo, e diga para ela pegar no banheiro o vidro de vitamina C que você trouxe de Nova York e tomar três por dia. Lembre-se de que é ela quem serve seu café da manhã, leva um chazinho quando você chega cansada, tira gelo, lava e passa sua roupa e faz tudo para te agradar.
E quando chegar em casa à tarde, esqueça-se, apenas por uns segundos, do mensalão, das eleições, do seu cabelo que está péssimo, e pergunte se ela está melhor.
Não adianta ter todo o poder e todo o dinheiro do mundo se ninguém pergunta se você melhorou da gripe.
Do limão à limonada.
Pawel Nolbert batizou sua arte de SNEAKERCUBE.
Guarda lá uma originalidade qualquer.
E de onde ele parte? De calçados esportivos. E destes para cubos ilustrados.
O resultado é curioso, no mínimo. E a curiosidade, aqui, fica por conta do entendimento da obra acabada, que depende de um empurrãozinho: ela precisa vir acompanhada da referência que lhe serviu de inspiração.
Assim, para cada cubo ilustrado Pawel enfileira um “sneaker” que, detalhe, ou ele calça ou está em sua lista de compras.
Pequenos cubos bem mais fáceis de arrumar no armário.





















