Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê só vive uma.
O título do post são aspas do autor de A Guerra dos Tronos, o rechonchudo George Martin.
Ninguém melhor do que George para dizer o que disse.
Seu gênero literário é um daqueles bem inventivos, que nos transportam para mundos fantásticos, personagens incríveis, situações só cabíveis no campo da ficção e do realismo mágico.
Vivemos e morremos mil, mais de mil, uma multiplicidade maior de vezes ao mergulharmos em suas páginas, narrativas.

Trago Martin para esta introdução por ele representar este poder maravilhoso que a leitura de livros encerra, ao nos permitir mergulhar e viver histórias que de outro modo não absorveríamos e dificilmente entraríamos em contato, ou acompanharíamos o desenrolar. Talvez nem mesmo sendo apenas cinéfilos - e há cinéfilo que não lê? Desconfio que não.
Logo que bati os olhos nos campos verdes onde o cinquentão italiano Massimo Bartolini ergueu uma biblioteca ao ar livre, enxerguei mais do que apenas uma grande instalação.
Eu vislumbrei uma ideia (que já digo qual).
Seu BOOKYARD foi montado na Bélgica. Aconteceu em setembro útlimo, quando rolou por lá um festival de arte, em Ghent: cidadezinha da Idade Média; e o terreno faz parte da abadia Saint-Pietersplein, onde um modesto vinhedo floresce.
Ali, naquela área, era permitido que as pessoas passeassem livremente entre as 12 prateleiras, deixando-as à vontade para folhear o que quisessem. Só não podiam carregar embora os volumes. Claro, a menos que os comprassem.
Daí que me veio a tal ideia… imagine você, imagine comigo, imagine se instalássemos prateleiras semelhantes em praças públicas brasileiras, em que os próprios moradores (ou agentes externos, organizados) doassem os livros para ocupar as estantes; milhares deles, livros que já não lemos, que estão encostados, esquecidos; livros que pudessem encontrar novos leitores, numa visitação aberta, em que simplesmente fosse permitido que cada visitante carregasse um volume de volta pra casa… sem pagar, sem gastar um real, numa seleção nascida apenas do interesse do leitor por dada história, narrativa.
Seria fantástico!
Eu próprio contribuiria com um bom quinhão de volumes. Você, talvez outro. E se juntarmos mais e mais pessoas… que incrível seria!
Massimo Bartolini não é um autor de livros, é apenas um grande artista que nos convida a viver mais do que uma vida: essazinha tão frágil e curta, a nossa.










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